<rss version="2.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"><channel><title>cblamartesmarciais</title><description>cblamartesmarciais</description><link>https://www.cblamartesmarciais.com.br/blog</link><item><title>Muaythai X Força, Flexibilidade e Agilidade</title><description><![CDATA[Muaythai versus força, flexibilidade e agilidade.Uma análise da contribuição do Muaythai na melhora dasvalências físicas mais utilizadas na prática da modalidadeProf. MsC Pollyanna SilvaUniversidade Católica de BrasíliaConfederação Brasileira de Lutas e Artes MarciaisSecretaria de Estado de Educação do DFResumo Arte marcial com mais de dois mil anos de existência, foi criada pelo povo tailandês como forma de defesa nas suas guerras e para obtenção de uma boa saúde. O seu treinamento ajuda os<img src="http://static.wixstatic.com/media/05a613_b176a143ed8b44ba9603ba8e9559b105%7Emv2.jpg/v1/fill/w_341%2Ch_197/05a613_b176a143ed8b44ba9603ba8e9559b105%7Emv2.jpg"/>]]></description><dc:creator>Prof. MsC Pollyanna Silva</dc:creator><link>https://www.cblamartesmarciais.com.br/single-post/2017/07/14/Muaythai-X-For%C3%A7a-Flexibilidade-e-Agilidade</link><guid>https://www.cblamartesmarciais.com.br/single-post/2017/07/14/Muaythai-X-For%C3%A7a-Flexibilidade-e-Agilidade</guid><pubDate>Fri, 14 Jul 2017 14:28:42 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><div>Muaythai versus força, flexibilidade e agilidade.</div><div>Uma análise da contribuição do Muaythai na melhora das</div><div>valências físicas mais utilizadas na prática da modalidade</div><div>Prof. MsC Pollyanna Silva</div><div>Universidade Católica de Brasília</div><div>Confederação Brasileira de Lutas e Artes Marciais</div><div>Secretaria de Estado de Educação do DF</div><div>Resumo</div><div> Arte marcial com mais de dois mil anos de existência, foi criada pelo povo tailandês como forma de defesa nas suas guerras e para obtenção de uma boa saúde. O seu treinamento ajuda os praticantes a terem maior poder de concentração nas suas atividades paralelas, sendo uma luta capaz de desenvolver concentração, auto-confiança além de condicionamento físico. o presente estudo visa mensurar as valências físicas agilidade, flexibilidade e força, pré e pós treinamento, onde tais valências foram exigidas e verificar o comportamento de tais variáveis. Tomando como pressuposto o Muaythai como elemento incentivador de possível melhora. Participaram da amostra oito homens treinados, competidores de Muaythai que praticam regularmente a pelo menos 6 meses a modalidade. Podendo concluir que as valências físicas agilidade, flexibilidade e força, pré treinamento sistematizado de Muaythai apresentam diferenças significativas dos seus resultados pós treinamento do grupo estudado.</div><div>Unitermos: Muaythai. Treinamento. Valências físicas</div><div>Introdução</div><div> O Muaythai é uma luta originária da Tailândia país do qual é o esporte nacional, tão quanto o futebol no Brasil, o que a torna a maior potência de tal esporte no mundo.</div><div> É semelhante a outros estilos indochineses e é conhecida mundialmente como a arte das oito armas (FPK/IFMA2008) pois se caracteriza pelo uso combinado dos dois punhos, cotovelos, joelhos, pernas e associado a uma forte preparação física que a torna uma luta de contato total poderosa.</div><div> Todo golpe do Muaythai tem o objetivo de acabar com a luta através do nocaute (Knock-out). Utilizam-se socos parecidos com os do boxe inglês, golpes com as pernas, típicos desta luta, e também os joelhos e cotovelos. Em competições os golpes considerados validos são os que combinam precisão e potência levando em conta o grau de dificuldade e de tradicionalidade aplicados.</div><div> O treinamento ajuda os praticantes a terem maior poder de concentração nas suas atividades paralelas, sendo uma luta capaz de desenvolver concentração, auto-confiança além de condicionamento físico, trazendo como suas principais valências físicas a agilidade, a força e a flexibilidade, (que aqui serão definidos segundo Carnaval, 1997), pois faz-se necessário para a precisão de seus golpes</div><div> Na agilidade, a capacidade que o indivíduo tem de realizar movimentos rápidos com mudança de direção e sentido, seus principais fatores influenciadores na performance são a força, velocidade flexibilidade e coordenação. Sendo totalmente visualizadas quando da realização da esquiva do lutador ao tentar não ser atingido pelo adversário.</div><div> A flexibilidade é aqui definida como grau de amplitude de uma articulação. Diversos fatores estão diretamente ligados a ela: superfície óssea, músculos, ligamentos, tendões, maleabilidade da pele entre outros. Porém, dificultam ainda mais o desempenho da flexibilidade a idade, o sexo, o aquecimento, temperatura ambiental e principalmente a tolerância a dor. Tornando-se esta última, fator relevante no treino e aquisição dessa valência física.</div><div> Para o aluno/atleta de Muaythai, a flexibilidade é fator preponderante na realização da maioria dos golpes realizados. Podendo ser facilmente visualizado quando referimo-nos a golpes com os membros inferiores como por exemplo no kao tromg (joelhada frontal), teep tromg (chute frontal), thed tad (chute lateral) que utilizam-se das articulações do quadril, do joelho, do tornozelo e pés e mesmo até nos golpes realizados com os membros superiores, nas articulações do ombro, do cotovelo e do punho, que são utilizados desde os golpes mais básicos mad trong (soco reto), sok tad (cotovelada lateral) até os mais sofisticados como mad glab (soco giratório) e o kadrot sok sub (cotovelada pulado e de cima para baixo). Tornando-se imprescindível aos semi-profissionais e profissionais, quando no tocante a luta, os adversários inúmeras vezes não são de altura similar como ocorre nos treinamentos.</div><div> Rizzo Pinto (1997) define força como sendo a capacidade de usar a energia mecânica, produzindo contrações que levam o segmento ou o corpo a, vencendo resistências, superar oposições criadas pela ação das leis naturais que regem o universo.</div><div> A força muscular é das valências físicas a mais importante de todas, pois ela é elemento indispensável na realização de qualquer tipo de movimento, do mais elementar ao mais complexo, sendo no contexto das artes marciais, elemento primordial quando na realização dos golpes. No que se refere à competição quando há enfrentamento, dar-se-a para “decidir” quem é o mais forte, no caso do Muaythai, o confronto geralmente ocorre visando além da impressão de golpes precisos no adversário o nocaute (KO).</div><div> Face ao exposto, o presente estudo visa mensurar as valências físicas agilidade, flexibilidade e força, pré e pós treinamento, onde tais valências foram exigidas e verificar o comportamento de tais variáveis. Tomando como pressuposto o Muaythai como elemento incentivador de possível melhora.</div><div>Métodos</div><div>Participantes</div><div> Participaram da amostra oito homens treinados, competidores de Muaythai que praticam regularmente a pelo menos 6 meses a modalidade. As características físicas dos participantes apresentaram as médias (±s): idade: 313,4 ± 134,2 meses, Peso corporal de 69,4 ± 12,8 kg, estatura 175,9 ± 5,4 cm.</div><div>Controle nutricional</div><div> A nutrição dos participantes permaneceu inalterada de sua rotina cotidiana. Sendo solicitada hidratação reforçada nas 24 horas anteriores ao estudo.</div><div>Desenho experimental</div><div> Aos participantes, selecionados de forma aleatória dentro das características exigidas (tempo de treino, graduação). Foi aplicado os testes de Agilidade (Shuttle run), Flexibilidade (“Sentar e Alcançar” de Wells) e Força (Dinamômetro manual), antes e depois da intervenção que constituiu-se de exercícios dentro da filosofia do Muaythai que exigiam essas valências físicas.</div><div>Análise estatística</div><div> A estatística foi realizada aceitando o nível de significância para todas as variáveis estudadas em p ≤ 0,05. Realizou-se uma análise descritiva dos dados e foi utilizado o teste “t” de Student pareado.</div><div>Resultados</div><div> Os testes foram aplicados em oito praticantes de Muaythai, do sexo masculino, adultos e com prática da modalidade superior a seis meses, sendo demonstrado no quadro abaixo uma análise descritiva dos dados para um melhor entendimento dos resultados que serão dscutidos posteriormente, sendo possível a visualização das médias e respectivos desvios na idade, peso, estatura, dinamômetro pré e pós teste e banco de wells pré e pós teste.</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/05a613_b176a143ed8b44ba9603ba8e9559b105~mv2.jpg"/><div>Força</div><div> Uma qualidade essencial na execução das técnicas nos movimentos de Muaythai é a força, em especial no clinche, onde os atletas a aplicam constantemente e na execução dos golpes com os membros inferiores e superiores, sendo o Muaythai uma modalidade de combate que mede a eficiência dos lutadores pela sua precisão e potência na aplicação das técnicas, juntamente com fatores como execução correta dos movimentos pertencentes à modalidade.</div><div> A força dos atletas se torna um item indispensável para um resultado satisfatório em competições em relação à contundência dos golpes, sendo observado no estudo uma melhora significativa na força dos atletas/praticantes no pós-treino, indicando necessidade de trabalho específico antes do combate visando otimizar essa qualidade, e infere-se a possibilidade de contribuição do treinamento de Muaythai para o desenvolvimento da força, em especial nos membros superiores, no grupo estudado.</div><div>Flexibilidade</div><div> O Muaythai utiliza inúmeros golpes com os membros inferiores, tendo assim a flexibilidade como valência física indispensável para execução correta desses movimentos, agindo diretamente no resultado da performance, mostrando-se imprescindíveis principalmente nos chutes altos como o thed tad (chute circular altura do rosto), e o thed tawad glab lang (chute giratório com a sola do pé na altura do rosto) que exigem uma maior amplitude de movimento na articulação do quadril e uma maior flexibilidade e alongamento dos músculos bíceps femorais, semibrenaceo, semitendineo, os ísquios tibiais, assim como os adutores.</div><div> Os atletas/praticantes demonstraram uma pequena melhora na flexibilidade, chamando-nos atenção da necessidade de treino especifico dessa valência física visando sua melhora significativa, e nos alertando da exigência da preparação dos grupos musculares mais exigidos.</div><div>Agilidade</div><div> Em um combate é exigido do atleta que execute inúmeros ataques, defesas, contragolpes e esquivas de forma sistemática e em um ritmo e momento apropriado, normalmente são executados ataques e bloqueios simultâneos ou em ataques em resposta aos estímulos do adversário e ainda são utilizados ataques combinados que utilizam lados opostos do corpo demandando grande agilidade, que aqui já foi definida por Carnaval (1997) como a capacidade que o indivíduo tem de realizar movimentos rápidos com mudança de direção e sentido. Nas categorias mais leves é muito mais intensa a aplicação dessa valência, já nas categorias de peso mais altas é menos observada porém não menos importante no combate.</div><div> Foi notado nos atletas/praticantes uma pequena melhora pós treino o que corrobora com a necessidade de se fazer um trabalho específico pré combate. É também uma qualidade que deve ser associada ao treino técnico, pois quanto mais ágil o praticante, maior sua capacidade de executar movimentos diversos em varias situações do combate.</div><div>Muaythai</div><div> No quadro a seguir encontram-se os principais golpes da modalidade Muaythai, suas valências físicas associadas e sua frequência de execução em campeonatos, visando assim demonstrar a aplicação prática das valências estudadas.</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/05a613_6027891dbf764a77ae5b3cc1dfbc95f5~mv2.jpg"/><div>Elaboração: Alan Correa e Pollyanna Silva</div><div>Conclusão</div><div> Podemos concluir que as valências físicas agilidade, flexibilidade e força, pré treinamento sistematizado de Muaythai apresentam diferenças significativas dos seus resultados pós treinamento do grupo estudado, onde tais valências foram exigidas, podendo assim ser sugerido que a prática de tal modalidade esportiva possa ser pressuposto de possível melhora. Trazendo consigo a necessidade de outros estudos com um número maior de indivíduos para que possam ser generalizados os resultados.</div><div>Referências</div><div>Apostila da Liga Brasileira de Muay Thai Tradicional, 2011.CARNAVAL, Paulo Eduardo. Medidas e avaliações: em ciências do esporte. 2 ed. Rio de Janeiro: Sprint, 1997.CARNAVAL, Paulo. Cinesiologia: aplicada aos esportes. Rio de Janeiro: Sprint, 2000..Federação Portuguesa de Kick Boching e Muay Thai – Regras de Arbitragem de Muay Thai FPK/IFMA 2008.HALL, Susan J. - Biomecânica Básica 5ª edição - Editora Manole 2009.WEINECK, Jürgen. Treinamento ideal: Instruções técnicas sobre o desempenho fisiológico, incluindo considerações específicas de treinamento infantil e juvenil. 9ed. São Paulo: Manole, 1999.WEINECK, Jürgen. Biologia do esporte.São Paulo: Manole, 1991.</div></div>]]></content:encoded></item><item><title>NOÇÕES BÁSICAS SOBRE DESIDRATAÇÃO</title><description><![CDATA[CONSIDERAÇÕES ESPECIAIS SOBRE HIDRATAÇÃO PARA ATLETAS: NOÇÕES BÁSICAS SOBRE A DESIDRATAÇÃOResumo Em esportes de combate, a utilização do processo de desidratação como estratégia de perda rápida de peso é frequentemente utilizada com o propósito de obter vantagens sobre o oponente. Nesse processo, a redução de peso é extremamente acentuada com curta duração, o que pode provocar uma série de desordens fisiológicas, psicológicas e também quanto ao desempenho esportivo. Sendo assim, a presente<img src="http://static.wixstatic.com/media/05a613_f0f59d79a2aa427eac2268eee4351405%7Emv2.png"/>]]></description><dc:creator>Prof. MsC Pollyanna Silva</dc:creator><link>https://www.cblamartesmarciais.com.br/single-post/2017/07/13/NO%C3%87%C3%95ES-B%C3%81SICAS-SOBRE-DESIDRATA%C3%87%C3%83O</link><guid>https://www.cblamartesmarciais.com.br/single-post/2017/07/13/NO%C3%87%C3%95ES-B%C3%81SICAS-SOBRE-DESIDRATA%C3%87%C3%83O</guid><pubDate>Thu, 13 Jul 2017 16:20:00 +0000</pubDate><content:encoded><![CDATA[<div><div>CONSIDERAÇÕES ESPECIAIS SOBRE HIDRATAÇÃO PARA ATLETAS: NOÇÕES BÁSICAS SOBRE A DESIDRATAÇÃO</div><div>Resumo</div><div> Em esportes de combate, a utilização do processo de desidratação como estratégia de perda rápida de peso é frequentemente utilizada com o propósito de obter vantagens sobre o oponente. Nesse processo, a redução de peso é extremamente acentuada com curta duração, o que pode provocar uma série de desordens fisiológicas, psicológicas e também quanto ao desempenho esportivo. Sendo assim, a presente revisão teve como objetivo a explanação básica sobre o processo de desidratação e suas consequências.</div><div>PALAVRAS CHAVE: Desidratação, artes marciais e combate.</div><div>Introdução</div><div> As modalidades de luta apresentam a massa corporal como um dos critérios de divisão dos atletas. Em decorrência dessa categorização, muitos atletas optam por reduzir a massa corporal na tentativa de enfrentarem atletas menores e teoricamente mais fracos (ARTIOLI, FRANCHINI &amp; LANCHA JUNIOR, 2006), tornando assim a prática da desidratação um processo bastante difundido nos esportes de combate.</div><div> Com o desenvolvimento do esporte e com a difusão dos mesmos pelas grandes mídias os métodos para que os atletas conseguissem bater o peso de sua categoria vieram a tona.</div><div>Os esportes de combate e lutas em geral proporcionam ao atleta uma elevada demanda metabólica tanto no treinamento quanto em competições. Para que um atleta tenha um rendimento adequado, vários fatores deverão estar bem ajustados, para que a performance não seja afetada negativamente.</div><div> O consumo de líquidos por um atleta de artes marciais está justificado por: um longo período de treinamento diário que um atleta tem que suportar, uma temperatura ambiente elevada, o tipo de vestimenta que dificulta a perda de calor.</div><div> Uma vez que a maioria das modalidades de luta trabalha com restrição de peso, estes conhecimentos básicos de hidratação são fundamentais.</div><div>Desidratação</div><div> O corte de peso dos lutadores é um assunto que nunca sai das discussões no mundo das Artes Marciais e uma estratégia comumente utilizada para perda de peso é a desidratação. Porém é de suma importância saber que a água e os eletrólitos são fatores primordiais para a manutenção da atividade física. Um desequilíbrio entre estes elementos pode alterar a capacidade física. Sabe-se que a redução hídrica durante o exercício levará o atleta a um estado de desidratação (ACSM, 2009; ADROGUÉ &amp; MADIAS, 2000).</div><div> A desidratação é definida como uma perda de líquidos superior a dois por cento do peso corporal causando um aumento da tensão fisiológica consequentemente o aumento da percepção de uma pessoa quanto ao esforço necessário à realização de um exercício.</div><div>Tal processo pode reduzir o desempenho de um atleta por interferir negativamente em parâmetros fisiológicos, como volume plasmático, fluxo sanguíneo e controle de eletrólitos, culminando em baixo rendimento do seu desempenho. A perda hídrica pela sudorese durante o exercício pode levar o organismo à desidratação, com aumento da osmolalidade, da concentração de sódio no plasma e diminuição do volume plasmático (SAWKA, 1992). Ou seja, à medida que o corpo se desidrata, o volume sanguíneo e a produção de suor diminuem, e a temperatura corporal aumenta. Como precisa evitar o hiperaquecimento, o corpo deve trabalhar mais para enviar o sangue até a pele e dissipar o acúmulo de calor e produzir suor. O resultado é menos líquido na corrente sanguínea para levar sangue rico em oxigênio até os músculos de trabalho, pulmões e outros órgãos.</div><div> A desidratação pode afetar negativamente o desempenho do exercício aeróbico1, especialmente em climas quentes, podendo reduzir a capacidade mental/cognitiva. A magnitude do declínio do desempenho no exercício está relacionada ao estresse causado pelo calor, ao exercício e às características biológicas individuais da pessoa, tornando-se um fator de risco para a exaustão por calor.</div><div>Nota1: Alguns estudos realizados sugerem que a atividade acíclica que caracteriza os esportes de combate, combinada com movimentos de extrema técnica as quais requerem muita energia, seguido por curtas interrupções durante a luta, gera um perfil metabólico no qual o metabolismo aeróbio é a fonte de energia predominante, ao passo que o metabolismo anaeróbio é requerido, principalmente, para fornecer energia tanto a base de fosfato (ATPCP) bem como às custas da produção e liberação desproporcional de lactato sanguíneo nos momentos finais de exercício. Assim, mesmo levando-se em consideração que os esportes de combate é composto por um número elevado de ataques e defesas de alta intensidade, o perfil metabólico geral apresenta uma predominância do metabolismo aeróbio.</div><div> A perda de líquidos corporais induzida pela realização de exercícios em ambientes quentes e o uso de roupas antitranspirantes (borracha/ plástico), laxantes e diuréticos podem afetar o equilíbrio eletrolítico corporal, principalmente do mineral cálcio, o que pode resultar em menor mineralização óssea e causar fraturas por estresse (COHEN &amp; ROE, 2000).</div><div> A grande questão deste tipo de método para perda de peso é que devido às camadas de roupa uma menor área do corpo do atleta será exposta ao ambiente para permitir a perda direta de calor. A prática de exercitar-se com uma roupa emborrachada para provocar a perda de peso é um excelente exemplo de como é possível criar um perigoso microambiente (o ambiente insulado no interior da roupa) no qual a temperatura e a umidade sejam altas ao ponto de bloquear quase toda a perda de calor. Essa situação pode levar rapidamente à exaustão térmica ou à intermação. (WILMORE; COSTILL, KENNEY, 2010. p.277).</div><div> Frequentemente, os diuréticos produzem nos lutadores hipocalemia (diminuição da concentração de potássio no sangue), podendo colocar em risco a saúde, pois a redução do potássio corporal altera a atividade da bomba sódio-potássio, a qual, em níveis críticos, leva o atleta a óbito (MARINS, DANTAS &amp; ZAMORRA-NAVARRO, 2000a).</div><div> A desidratação crônica acontece em atletas que não bebem suficientemente líquidos em relação às suas necessidades.</div><div> Este estado se manifesta pelo cansaço ao esforço, desânimo no quotidiano, dificuldade de concentração ou memorização. Esta fadiga vem associada a uma baixa de desempenho, dificuldade de recuperação, o que provoca câimbras, dores musculares ou contração muscular. Frequentemente impressão de pernas pesadas ao acordar, a cor escura da urina pela manhã também é um bom indicador.</div><div> O cansaço tem um papel negativo sobre o estado de vigilância do atleta, o que provoca um impacto na precisão dos seus gestos. Esta baixa de desempenho é acentuada e os riscos de ferimentos e quedas aumentam por falta de coordenação motora.</div><div> Classificada como leve, moderada ou severa com base no volume de líquido corporal perdido ou não reposto, juntamente com a falta de sódio está associada a cãibras músculo-esqueléticas. Quando severa, a desidratação é uma situação de emergência com risco de morte iminente.</div><div> Os primeiros sinais de desidratação podem não ser específicos, normalmente envolvem fadiga, dor de cabeça e confusão. Um estudo realizado com 220 atletas de luta, demonstra as manifestações fisiológicas relatadas pelos indivíduos quando em estado de desidratação.</div><img src="http://static.wixstatic.com/media/05a613_f0f59d79a2aa427eac2268eee4351405~mv2.png"/><div> Fonte: R. bras. Ci. e Mov. 2005; 13(2): 59-74</div><div> Associado aos problemas já relatados, podemos associar a eles a influência destes métodos na questão mental dos atletas, o que acaba gerando uma carga de estresse nos lutadores.</div><div> Segundo LOURES, Débora Lopes et AL (2001), a vida consiste de um equilíbrio dinâmico, constantemente alternando estados de estresse e homeostase. Desta forma, as forças que alteram a homeostase são equilibradas por respostas adaptativas geradas pelo organismo.</div><div>Os organismos multicelulares se adaptam a essas situações através de complexas alterações neurais, humorais e celulares, envolvendo múltiplos órgãos e tecidos. O organismo humano desenvolveu um sistema complexo, constituído por componentes do sistema nervoso central, incluindo os neurônios do núcleo paraventricular hipotalâmico, que produzem o hormônio de liberação da corticotrofina, núcleos noradrenérgicos do tronco cerebral com seus componentes periféricos, o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal e o sistema nervoso autônomo, cuja principal função é manter a homeostase no repouso e em situações de estresse.</div><div> O sistema descrito acima exerce importante influência em muitas funções vitais, como a respiração, o tônus cardiovascular e o metabolismo intermediário, que também são alteradas por estados de estresse. Os riscos adotados pelos atletas são graves e explicitados baseados em evidências científicas, estes problemas agudos, se repetidos por várias vezes (caso dos lutadores, que realizam a prática da desidratação) podem ocasionar problemas mais graves com o passar do tempo.</div><div> O ACSM (American College of Sports Medicine) posicionou-se pela primeira vez em 1976 sobre a redução de peso em lutadores, desestimulando a utilização de roupas de borracha, saunas secas ou a vapor, laxantes e diuréticos para “perder peso”, e mostrando-se favorável a programar pesagens diárias antes e depois das competições para monitorizar reduções artificiais de peso. Sendo que o peso perdido durante os treinos e competições deve ser reposto através de uma ingestão adequada de alimentos e líquidos. (ACSM, 1999).</div><div> Estas medidas têm por objetivo preservar a saúde dos atletas e criar um âmbito de luta mais seguro para seus praticantes, porém, sabe-se que tais recomendações não são seguidas e a desidratação continua a ser praticada pelos lutadores na atualidade.</div><div> Conforme a diretriz da Sociedade Brasileira de Medicina Esportiva, o reconhecimento dos sinais e sintomas da desidratação é fundamental. Quando leve a moderada, ela se manifesta com fadiga, perda de apetite e sede, pele vermelha, intolerância ao calor, tontura, oligúria e aumento da concentração urinária. Quando grave, ocorre dificuldade para engolir, perda de equilíbrio, a pele se apresenta seca e murcha, olhos afundados e visão fosca, disúria, pele dormente, delírio e espasmos musculares. (CARVALHO, 2009).</div><div>Considerações Finais</div><div>Os regimes vigorosos de redução de peso não são recomendados para atletas de combate, tendo em vista as inúmeras alterações fisiológicas e psicológicas causadas por tais práticas, levando em conta que, em esportes de alto rendimento, um mínimo decréscimo no desempenho pode ser crucial na decisão do combate.</div><div>Com base nos estudos realizados pode-se afirmar que a desidratação é completamente prejudicial a saúde dos atletas praticantes de modalidades de luta.</div><div>Referências</div><div>ALDERMAN, B. L.; LANDERS, D. M.; CARLSON, J.; SCOTT, J. R. Factors related to rapidweight loss practices among international-style wrestlers. Medicine and Science in Sports and Exercise, Hargestown, v. 36, p. 249-52, 2004.</div><div>AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE. Redução de peso em lutadores. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, São Paulo, v. 5, p. 77-80, 1999. 258 Rev. Bras. Ciênc. Esporte, Florianópolis, v. 35, n. 1, p. 245-260, jan./mar. 2013</div><div>ARTIOLI, G. G.; FRANCHINI, E.; LANCHA JUNIOR, A. H. Perda de peso em esportes de combate de domínio: revisão e recomendações aplicadas. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano, Florianópolis, v. 8, p. 92-101, 2006.</div><div>ARTIOLI, G. G. et al. Magnitude e métodos de perda rápida de peso em judocas de elite. Revista de Nutrição, Campinas, v. 20, p. 307-315, 2007.</div><div>HALL, C. J.; LANE, A. M. Effects of rapid weight loss on mood and performance among amateurs boxers. British Journal of Sports Medicine, Loughborough, v. 35, p. 390-395, 2001.</div><div>KOWATARI, K. et al. Exercise training and energy restriction decrease neutrophil phagocytic activity in judoists. Medicine and Science in Sports and Exercise, Hagerstown, v. 33, p. 519-524, 2001.</div><div>PAHL, M. V. et al. Effect of rapid weight loss with supplemented fasting on serum electrolytes, lipids, and blood pressure. Journal of the National Medical Association, v. 80, p. 803-809, 1988.</div><div>PERRELLA, M. M.; NORIYUKI, P. S.; ROSSI, S. Evaluation of water loss during high intensity rugby training. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, São Paulo, v. 11, p. 217-9, 2005.</div><div>Exercise and Fluid Replacement, Position Stand, American College of Sports Medicine, Med Sci Sports Exer. 2007:39;377-390.</div></div>]]></content:encoded></item></channel></rss>